segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
há campanhas bem feitas. e depois há estas.
Quando Zeinal Bava se chegou ao pé dos criativos da Partners e lhes disse "a TMN vai desaparecer. A partir de agora é tudo MEO. Precisamos de uma campanha.", imagino que se terão afundado nas cadeiras e pensado "a sério? andámos a construir uma marca estes anos todos e agora pedem-nos para a matar?!". Depois terão ido para casa, meio cabisbaixos, a pensar como iriam matar uma marca com a força da TMN, que eles próprios tinham ajudado a criar.
Não faço ideia quanto tempo terão levado a encontrar a resposta. Nem tão-pouco se procuraram outros caminhos antes do que escolheram. Mas o que escolheram foi brilhante e genial.
Um dos princípios básicos da comunicação é mantê-la simples e objectiva. Acontece que a maior parte dos criativos anda à procura do prémio e não da eficácia da comunicação, o que resulta - regra geral- em campanhas que o consumidor nem chega a perceber. (A outra parte dos criativos é mesmo só incompetente.)
Nas suas reflexões sobre a transformação da marca, terão os criativos da Partners chegado à conclusão de que tudo se manteria na mesma, só desaparecia o nome. Que os serviços e produtos seriam os mesmos. Só mudaria o nome. Que a inovação de sempre seria a mesma. Só mudaria o nome. Então não seria uma morte, mas sim uma transformação. Uma nova vida. E se era assim tão simples, para quê complicar? Seria isso mesmo que diriam aos consumidores. Mas como?
Somos, nós pessoas, nós portugueses, uns saudosistas. Uns revivalistas. Adoramos (re)ver o que é antigo e que mantemos vivo na nossa memória. Adoramos fotos antigas, filmes antigos e anúncios antigos. Somos uns sentimentalistas a precisar de encontrar novas vidas na vida de todos os dias.
E se o trabalho que tinha sido feito foi bem feito, se a MEO seria só o novo nome da TMN, porque não ir ao baú das memórias e dizer às pessoas "somos os mesmos. A fazer e a oferecer as mesmas coisas. Só mudamos o nome, mas até esse você já conhece". Não foi preciso matar a TMN, foi preciso dar-lhe uma nova vida.
E pronto. Temos uma campanha fortíssima. Bem-feita. Clara. Objectiva. Uma campanha que demonstra que fazer comunicação e publicidade é simples, se mantivermos simples os nossos objectivos. Acima de tudo, se nos cingirmos a eles.
Há campanhas bem feitas. E depois há estas, que nos relembram que isto de fazer comunicação, afinal não é para todos!
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
a retoma começa hoje
Não o País. Que esse já está em crise há muito tempo.
São as pessoas que estão em crise. Económica sim. Porque de forma muito concreta vão ver os seus rendimentos reduzirem nos próximos dois anos, sem que possam fazer alguma coisa por isso - e não tenhamos ilusões, hoje são os funcionários públicos, amanhã serão também os do sector privado.
Mas a nossa crise é ainda mais grave e vai ainda mais além. Estamos em profunda crise ideológica. Em crise "interventiva". Em crise de passado e de futuro. Estamos perdidos. Desconfiamos de todos. Dos que foram, dos que vieram e dos que estão. E a pergunta que fica é: como é que chegámos a este ponto?
Sim, como é que chegámos aqui? A esta situação de penúria colectiva. Como é que as pessoas que nos têm governado permitiram que fosse assim? E que culpa teremos nós em todo este processo?
Não somos isentos de culpas e de responsabilidades. Descurámos o nosso dever de participar na vida política e de eleger os governantes que queríamos para nós. Gastámos mais do que tínhamos. Pedimos dinheiro emprestado às instituições de crédito até ao limite para comprar o que nem sempre precisávamos. Fugimos aos impostos. Trabalhámos menos do que devíamos e por isso produzimos menos, gerámos menos riqueza. Passámos o tempo a dizer mal do País, dos governantes e dos patrões mas nunca fomos capazes de nos esforçar um bocadinho mais.
E agora? Vamos fazer o quê? Vamos ficar eternamente a apontar o dedo a possíveis culpados ou vamos levantar a cabeça, aceitar o inevitável e seguir em frente?
Há duas formas de lidar com as dificuldades. Uma é lamentarmo-nos, dizermos mal da nossa má sorte, afirmarmos ao mundo que temos vergonha de sermos portugueses. Outra é encarar o touro de frente. Ir à luta. Aceitar que não podemos voltar atrás e o único caminho é para a frente. Que vamos mesmo ter que sofrer na pele os erros passados para melhorar depois. Que temos que aprender com o que fizemos mal feito para não repetir.
A lição, a grande lição que todos podíamos dar, era apoiar as medidas que nos são exigidas. Era mostrar ao mundo que estamos juntos e dispostos a ultrapassar isto de forma rápida, para que seja o mais indolor possível. Assim como quem tira um penso rápido bem agarrado à pele. Ao invés de criar ainda mais dificuldades e atrasos. Ao invés de destabilizarmos ainda mais a harmonia social e travarmos ainda mais a produção de riqueza do País. Deixemos as crises de que somos culpados e vítimas de lado de uma vez por todas.
Eu não sou pessoa de ficar a olhar para o que foi ou podia ter sido. De me ficar a lamentar pelas desgraças do passado. Sou pessoa de seguir em frente. De acreditar que pode e será sempre melhor o que aí vem do que o que ficou para trás. Porque o que vem é um livro em branco e nele escreveremos o que quisermos. E eu não quero escrever palavras de desânimo e descontentamento. Quero escrever palavras que me encham os dias de coisas boas.
Para mim é oficial, a retoma começa hoje.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
a percepção dos outros
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
o vizinho do lado
Conhecemos centenas.
Privamos com mais ou com menos pessoas consoante o nosso estilo de vida.
Ao nosso lado, na casa colada à nossa, na secretária à nossa frente, na loja da esquina que frequentamos habitualmente, vivem pessoas que não sabemos quem são.
São mais ou menos simpáticas.
São mais ou menos educadas.
Sao mais ou menos atenciosas.
Há algumas de quem até gostamos, não temos nada a dizer.
E todos os dias ouvimos as notícias e encontramos mais um caso de alguém que foi morto, assaltado, violado. Mais um professor que abusava das alunas, mais um predador sexual que usava a net para se fazer passar por quem não era e coleccionar vítimas, mais um simples engenheiro de telecomunicações que aterrorizava jovens, mais um padre que olhava pelo seu rebanho com "demasiada atenção".
E tudo isto longe.
Sempre muito longe.
Sempre numa realidade paralela.
Estas pessoas não têm cara, não têm nome, não têm voz e por isso existem simplesmente por aí. E nós seguimos por aqui. E lá esquecemos mais um crime considerado hediondo por todos, mas que rapidamente cai no esquecimento porque não está próximo de nós.
Até aquele dia.
Até ao dia em que o criminoso passa a ter cara, passa a ter nome, passa a ter voz.
Conhecemos-lhe a cara, sabemos-lhe o nome, reconhecemos-lhe a voz.
É alguém que vive ao nosso lado, que trabalha connosco. Alguém com quem privámos muitas vezes ou, pelo menos, mais vezes do que o agora desejado. No pior dos casos é nosso amigo, nosso familiar.
Como eu percebo o Pai daquele lunático Norueguês quando diz que o filho se devia ter suicidado em vez de ter morto todas aquelas pessoas.
E nesse dia constatamos mais uma vez, que nunca conhecemos verdadeiramente as pessoas. Que, como diz o ditado, quem vê caras não vê corações.
E que por muito que o nosso instinto sempre nos tenha dito que havia algo de muito errado com aquela pessoa, nada nos prepara para o facto de em alguma altura da vida termos privado com um criminoso.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
choque em cadeia
Juro que quando marcámos as férias fizemos as malas e rumámos à praia, éramos 3.
Essa era, aliás, a ideia-base. Virmos os 3 de férias, sem amigos, sem família. Uma ou outra visita que nos acalorava os dias, mas depois o sossego outra vez.
Assim foi durante a primeira semana. Praia com espaço, piscina sem ninguém, vila com pouca gente. O tão desejado sossego depois de um ano de pessoas, horários, actividades.
Decidimos este ano que a segunda semana de férias poderia ser passada no Algarve. Em busca de noites quentes e águas que nos permitissem tomar longos banhos sem medo de enregelar assim que se põe o pé.
E cá viemos. Os 3.
Tudo pronto e lá fomos nós para a praia a pensar que encontraríamos o paraíso perdido.
O parque de estacionamento tinha bastantes carros, mas havia ainda muitos lugares, nada preocupante. Mas assim que pusemos o pé no último degrau de acesso à praia o sonho desvaneceu-se. Ao longo do areal a visão era assustadora. Chapéus de sol, uns ao lado dos outros, dezenas, centenas. Um choque em cadeia consegue ter mais espaço entre os carros acidentados.
A vontade era de voltar para trás, mas o mar estava apetecível e por isso pensámos: “não pode ser assim tão mau!”
E lá começamos a andar. À procura de um espaço onde coubéssemos os 3. Onde coubéssemos não. Onde pudéssemos estender a toalha à vontade. Somos assim. Anti-sociais. Gostamos de vir sozinhos para a praia.
Encontrámos um local minimamente afastado. Demasiado perto para o nosso gosto mas onde poderíamos estar a conversar sem que o vizinho do lado ouvisse a conversa. Durou pouco. Quando demos por nós, fomos cercados por chapéus, toalhas, pessoas. “Os teus tios também vieram?!”, “Olha, eu a pensar que tínhamos vindo só os 3 e afinal somos muitos!”
Água. Na água não está assim tanta gente.
Estender ao Sol. Deito-me e quando levanto a cabeça assusto-me. Tenho à minha frente a cabeça de uma senhora deitada de barriga para baixo. A visão que tenho é que ela tem a cabeça no meio das minhas pernas! A sério. Os 3 pêlos que de manhã pensei que podia deixar para tirar mais tarde porque só se alguém estivesse em cima de mim veria, tomaram neste momento uma proporção gigantesca. A imagem é assustadora! Não quero estar na praia, levantar a cabeça, espreitar por entre as pernas e ver uma cara a olhar para mim!
Dou um salto na toalha e sento-me quase encolhida. Haverá espaço para mim?
As pessoas continuam a chegar. Um pouco mais à frente há um espaço que para mim daria para uma toalha se tivesse vindo com as pessoas que ali estão perto.Mas há uma família que se apodera dele. São duas, são três , são quatro pessoas. Mais o chapéu de sol, as toalhas, os brinquedos e a lancheira.
Há revistas Marias e Marianas onde se conseguem ler os artigos:”Apimente a sua relação, convide uma amiga e façam-lhe um strip-tease”. Obrigadinha mas dispenso o conselho, eu cá me arranjo!
E com muita pena de toda aquela gente, que gosta de manifestar o calor português quando toca a confraternizar, arrumamos as coisas e vamos embora mais depressa do que chegámos. Na piscina há sempre uma espreguiçadeira vazia à nossa espera.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
tão perto de nós
São Teotónio é uma vila pequena, que tem como auge do seu desenvolvimento a existência de um Intermarché. Do que me lembro, pouco mais mudou nos últimos 20 anos. Mas em São Teotónio há um agente da Santa Casa. E pensariam vocês que seria uma papelaria como estamos habituados. Não é. O agente da Santa Casa onde depositamos a esperança de enriquecer é um alfaiate. Ou algo semelhante. É uma loja onde se vendem camisas de flanela aos quadrados por 5€.Onde se podem fazer chapéus por medida, onde há peças de fazenda inteiras para fazer fatos (um dia, quem sabe!). O agente da Santa Casa não vende revistas, nem jornais, nem tabaco, nem postais. É uma loja de um senhor velhinho, que percebeu que, se calhar, talvez fosse melhor apostar na sorte dos outros, porque a procura por camisas de flanela e fatos por medida tinha os dias contados.
Em São Teotónio, há também uma loja à antiga, onde podemos comprar lençóis, toalhas, artigos de criança e “langerie”. Pelo menos é o que diz do lado de fora. Sinceramente, nunca tentei perceber que tipo de de artigos seriam esses de “langerie”, há imaginários que preferimos não desfazer.
A Zambujeira do Mar, que toda a gente conhece e que tantos gostam, tem pouco mais de nada. Tem um mercado com uma senhora simpática que vende peixe e que põe em sentido o marido e os filhos e que comanda as operações, e tem uma senhora não tão simpática , que vende tomate com sabor a tomate. Tem esplanadas e caracóis e amêijoas ao fim da tarde. Tem uma vista deslumbrante sobre um mar imenso. Tem um café que também vende jornais e revistas. Tem lojas que vendem brincos, pulseiras, colares, bóias, braçadeiras, biquinis e postais. Tem um parque infantil. Tem uma capela. E em Agosto tem o Festival Sudoeste e uma feira.
A Zambujeira do Mar tem espaço para se estar. Tem tempo para se ser. Tem cheiro de paz. Tem a praia à nossa espera.
Aqui, tão longe de (quase) tudo, sentimo-nos tão perto de nós.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
as meias da tia
Quando oferecemos um presente a alguém, temos duas hipóteses: ou oferecemos algo que sabemos que a outra pessoa vai gostar, ou oferecemos algo que nós próprios gostaríamos de receber.
Tendencialmente, numa manifestação de egoísmo que caracteriza o ser humano, acabamos por escolher o que nós gostaríamos que nos oferecessem. Escolhemos em função do nosso gosto, da nossa experiência, das nossas necessidades.
Assim são as empresas. Quantas empresas perdem tempo e dinheiro a oferecer-nos serviços ou produtos que nós não queremos, que nós não precisamos e que, em alguns casos, até pagaríamos para não ter.
Sendo geridas por pessoas, as empresas tendem a oferecer ao consumidor aquilo que pensam que ele quer, em vez de lhe perguntarem directamente “de que é que precisa?, o que é que o faria feliz?”.
Decidem o lançamento ou não de novos produtos/serviços e a forma de os comunicarem, com base em “estudos de mercado caseiros”, feitos junto daqueles com quem mantêm um relacionamento próximo que, por isso mesmo, terão opções e gostos muito semelhantes. É normalmente uma coisa muito técnica e científica, altamente representativa do público a que se destina, tipo: “olha lá, o que é que achas de lançar um vinho com sabor a cerveja?”, “que boa ideia pá!”. E pronto, está feito meio caminho para mais um flop que tinha tudo para dar certo.
Felizmente, são cada vez mais as empresas que têm um visão de marketing do seu negócio, e que percebem que existem para satisfazer o cliente. E para isso precisam de o conhecer, precisam despender tempo a perceber o que o consumidor procura e oferecer-lhe um produto/serviço à sua medida. Precisam de perceber e aceitar que o consumidor é cada vez mais informado e cada vez mais exigente.
Oferecer o produto/serviço certo ao cliente é a melhor (e única!) forma de atingir o objectivo do negócio: o lucro. Se o consumidor está interessado experimenta. E se experimenta e gosta compra outra vez. E se compra significa que a empresa vende e, – se as contas estiverem certas – tem lucro com a venda.
Se o marketing não tivesse evoluído e não fosse hoje uma realidade empresarial, continuaríamos todos a poder escolher a cor do nosso carro, desde que fosse preto (como dizia Henry Ford).
Se todos nós não tivéssemos aumentado o nosso grau de exigência, não só quando compramos, mas também quando oferecemos, continuaríamos todos a receber daquela Tia, uma meias (bem quentinhas) pelo Natal!
quinta-feira, 15 de abril de 2010
o glamour do marketing
É o destino de férias que ora é uma ilha paradisíaca, ora uma cidade desconhecida. É o estilo de música dos jovens e adolescentes que ora é hip-hop, ora é metal do mais pesado que há quando tinhamos acabado de comprar para oferecer o último álbum do Jay Z. É "o Pedro e a Maria" que agora é "o Pedro e a Isabel" e a "Ana e o João" que afinal agora já são" a Ana e o Filipe". São os amigos para a vida que tínhamos no local de trabalho e que afinal querem o nosso lugar e nos passam a perna. É o SMS que recebemos constantemente: "o meu número de telefone foi alterado, por favor gravem este para futuros contactos". É o computador que já não tem memória suficiente -afinal já tem dois anos, a máquina fotográfica que está obsoleta - foi comprada no ano anterior, o carro que não tem espaço suficiente - quando o comprámos há três anos era tudo o que podíamos desejar, o telemóvel que com seis meses está bom para a reforma.
Não sabemos o que queremos. Queremos tudo e queremos rápido. E se calhar já não queremos hoje o que queríamos ontem que a oferta é demasiada para continuarmos a querer as mesmas coisas.
É difícil viver com isto.
Mas lá colmatamos estas constantes indecisões (nossas e dos outros) com a nossa profissão. Ao menos aí sabemos que as tarefas de ontem serão as de hoje e se soubermos exactamente o que temos que fazer não estamos sujeitos a modas.
Isto se formos Revisores Oficias de Contas, por exemplo. Nesse caso, cabe-nos saber as leis e as políticas contabilísticas e aplicá-las na análise das contas de uma determinada empresa. De vez em quando, lá mudam as leis, mas isso é só de vez em quando. De uma maneira geral não estamos sujeitos a vontades e a desejos externos. As coisas são como são e pronto. Só precisamos de saber de manhã quando acordamos, o mesmo que sabíamos à noite quando nos deitámos. E isso chega.
Quando trabalhamos em Marketing o caso muda de figura. Quando trabalhamos em Marketing a nossa função é dar ao cliente aquilo que ele quer. Ora, se os clientes são pessoas e as pessoas não sabem bem o que querem, a tarefa de um profissional de marketing é assim como a de um acrobata sem rede. Por mais que faça estudos de mercado e inquéritos de opinião, nunca fica com a certeza se o resultado de hoje ainda será válido amanhã. É arriscar.
E passamos por isso 24 horas por dia a gerir emoções, desejos, vontades e sonhos dos outros. Fazemo-lo na nossa vida pessoal, fazemo-lo na nossa vida profissional. e a somar a isto ainda temos que gerir as nossas próprias emoções, desejos, vontades e sonhos. E como somos pessoas, às vezes também não sabemos muito bem o que queremos.
Quem tem profissões "normais", daquelas em que os dias se sucedem sem terem que pensar no que os outros querem, acredita que o Marketing é uma profissão fascinante.
Se estamos num jantar em que as pessoas não se conhecem, e alguém pergunta: "em que é que trabalha?",e a resposta for "sou revisor ofical de contas", a conversa morre por ali. De facto não há mais nada a dizer. Ser revisor oficial de contas é.... ser revisor oficial de contas! É tratar números uns atrás os outros todos os dias. Não é uma profissão sexy. Não tem glamour.
Mas se a resposta for "trabalho em Marketing", aí passamos a ser o centro das atenções e as perguntas sucedem-se em catadupa. Trabalhar em Marketing é ter uma profissão com glamour. Toda a gente quer ouvir o que temos para dizer sobre os anúncios que fizemos, as festas que organizámos, os VIP's que acham que conhecemos. Porque para a generalidade das pessoas, trabalhar em Marketing é isto. São dias de festa uns atrás dos outros, é fazer coisas divertidas, é ter um emprego de brincar. É "fazer bonecos". Mal sabem as pessoas a dor de cabeça que é perceber o que vai na cabeça dos outros.
Mas no final do dia, a pergunta que fazemos é só uma:
Se eu podia ser Revisora Oficial de Contas? Podia. Mas não tinha o mesmo Glamour!
sexta-feira, 2 de abril de 2010
clientes novos clientes antigos
Gerimos pequenas empresas que são a nossa própria vida, vendemos um produto específico que somos nós próprios e temos como clientes todas as pessoas que queremos manter na nossa esfera de relações.
As empresas são pródigas em "fazer olhinhos" aos novos clientes. São promoções, são descontos, são telefonemas "só para ver se precisa de mais algum esclarecimento". É a disponibilidade total e absoluta. "Isso não é um problema para nós, é uma oportunidade de melhoria".
E nós, gestores das nossas pequenas empresas que são as nossas vidas, fazemos igual. De repente, aparece-nos alguém novo. De quem gostamos. A quem queremos agradar. Que queremos seduzir. Que queremos que goste de nós. E todos nós somos qualidades. Somos agradáveis, simpáticos, disponíveis, atenciosos, meigos, solícitos. Estamos sempre lá. Estamos sempre bem arranjados. Estamos sempre bem dispostos. Somos descomplicados. Somos a perfeição em pessoa. Temos tempo. Tempo para ouvir. Tempo para dar. Tempo para sentir. Tempo para admirar.
As empresas esquecem-se dos clientes antigos. Não lhes oferecem as promoções. Não lhes fazem descontos especiais. Não telefonam apenas e só para saber se está tudo bem. Não entendem as sugestões como oportunidades de melhoria, mas sim como reclamações às quais não dão seguimento. Enviam um cartão de Natal com a assinatura digitalizada e é se não se esquecerem.
E nós fazemos igual. Descuramos as pessoas que temos há mais tempo na nossa vida. Não mimamos. Não damos atenção. Não seduzimos. Complicamos. Não temos tempo. Estamos cansados. Não nos arranjamos só porque sim. Não telefonamos só para dizer que gostamos. Não alimentamos a magia. Não oferecemos um presente sem data especial, só porque nos lembrámos que o outro iria gostar.
Enquanto houver oferta, a fidelização dos clientes depende mais das empresas do que dos próprios clientes. Cabe às empresas manter os clientes satisfeitos, sem vontade de mudar.
Sendo nós os gestores das nossas pequenas empresas, não dependerá também de nós a fidelidade de quem queremos manter na nossa vida?
Se nos esquecermos de seduzir, haverá quem o faça e depois não nos podemos queixar se a concorrência chegar, linda, disponível e cheia de novidades, e nos roubar os clientes!

