segunda-feira, 30 de agosto de 2010

coisas de fazer bem

Às vezes é assim. Largamos tudo o que temos e vamos sozinhas.
As crianças entregues aos Avós. Os maridos entregues ao Jorge Jesus. Nós entregues umas às outras, para sermos meninas outra vez.

Primeiro um filme, que as idas ao cinema são coisa rara por estes dias.
Confesso que nunca tinha ido aquela sala, apesar de conhecer bem a zona.

Perto dali fica a minha infância. e sempre que a minha infância fica perto não resisto à tentação de a ir espreitar. Só mais uma vez.
Parei à porta. Fiquei a admirar o jardim. Tive saudades da minha bicicleta vermelha. Dos meus patins de quatro rodas, feitos em ferro, onde nunca soube andar muito bem. Olhei o pinheiro e a palmeira, que eram pequenos quando eu era pequena e agora parecem querer tocar o céu. Refiz mentalmente os caminhos percorridos entre os canteiros. As imensas estradas imaginadas com rotundas, semáforos, portagens e passadeiras. Onde conduzia o meu triciclo como se fosse um bólide que me levava onde nunca tinha ido. Que me fazia crescida quando ainda não sabia o preço a pagar pela autonomia. As memórias fazem-nos mais fortes, ao mesmo tempo que nos confrontam com a nossa impotência em controlar o tempo. Por esta altura já o meu Avô devia ter aparecido para abrir o portão. Já a minha Avó estaria à porta de sorriso na cara para nos receber.
E com a porta e o portão fechados, arranquei para novas memórias.


O filme é provavelmente o melhor filme que vi nos últimos anos. O Segredo dos Seus Olhos é uma história de paixões, de amizade e de castigo. Tem o personagem mais fantástico que vi ultimamente, com um humor brilhante e impagável, de uma simplicidade sem igual.
Saímos do cinema com a alma cheia...

...mas de barriga vazia!

A opção foi uma vegetariano que pessoalmente adoro. O Jardim dos Sentidos não é só um bom restaurante vegetariano. É, se quisermos, um espaço de experiências e de relaxamento. É perfeito para voltar ao tema do filme, para perceber que a  racionalidade nos faz acreditar em coisas que o amor não nos permite concretizar. E a paixão. A paixão que nunca morre, nunca se esquece, nunca esmorece.

Dali para o bar da moda. E tal é a moda que a fila para entrar chega ao fim da rua. Não. Não é para nós. Não o era aos 15 anos, menos o é agora. Afinal só queremos pôr a conversa em dia, pouco importa o local.
Para onde? Olha, para as Docas, que é o primeiro sítio que nos vem à cabeça.
A fauna vai alternando entre brasileiras meio despidas acompanhadas por tipos de camisa aberta a ver-se os pêlos do peito e a famosa cruz de ouro (na melhor das hipóteses é de ouro, sim) e saloias-que-vieram-das-berças-de-férias-à-cidade-de-tranca-à-mostra-e-pneu-a-saltar-das-calças. Bom, o melhorzinho ainda é o primeiro bar, que apesar da música intragável sempre tem uma frequência mais "alinhada" connosco. E lá nos sentámos. E conversámos. E a música acabou. E continuámos a conversar. E as luzes apagaram-se. E conversámos mais um bocadinho. E teríamos continuado a conversar não fosse o (muito) adiantado da hora.

Engraçado, como somos todas tão diferentes. Com infâncias e passados tão diferentes. Com "presentes" tão diferentes, mas sempre tão próximos.

Sim, temos que fazer isto mais vezes. Encontrar tempo e disponibilidade para fazer mais vezes.
Que estas coisas de fazer bem à alma dão-nos anos de vida.

Obrigada miúdas é sempre um enorme prazer!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

o jogo do anjo

E a seguir é este:


Sinopse

Na Barcelona turbulenta dos anos 20, um jovem escritor obcecado com um amor impossível recebe de um misterioso editor a proposta para escrever um livro como nunca existiu a troco de uma fortuna e, talvez, muito mais.

Com deslumbrante estilo e impecável precisão narrativa, o autor de A Sombra do Vento transporta-nos de novo para a Barcelona do Cemitério dos Livros Esquecidos, para nos oferecer uma aventura de intriga, romance e tragédia, através de um labirinto de segredos onde o fascínio pelos livros, a paixão e a amizade se conjugam num relato magistral.

Excerto

«Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita umas moedas ou um elogio a troco de uma história. Nunca esquece a primeira vez em que sente no sangue o doce veneno da vaidade e acredita que, se conseguir que ninguém descubra a sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de lhe dar um tecto, um prato de comida quente ao fim do dia e aquilo por que mais anseia: ver o seu nome impresso num miserável pedaço de papel que certamente lhe sobreviverá. Um escritor está condenado a recordar esse momento pois nessa altura já está perdido e a sua alma tem preço.»

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

a máquina de fazer espanhóis - a crítica

Acabei - agora mesmo -de ler o livro.

Soberbo. É a palavra que me ocorre para o descrever.

O Sr. Silva teve que encarar uma dura realidade a que muitos de nós estaremos condenados: a perda do nosso companheiro de vida e a ida para um lar.

A sua história obriga-nos a pensar no que seremos como filhos quando chegar a vez dos nossos pais, mas também nos obriga a pensar em nós enquanto "Srs. Silvas" e em como, mesmo aos mais de 80 anos, temos ainda tantas coisas para aprender.

A salpicar o enredo, "o esteves da metafísica" saído directamente do poema de Àlvaro de Campos (Tabacaria),  a reflexão sobre o fascismo e a ditadura e a "mariazinha",  imagem da Nossa Senhora de Fátima que serve de companhia a um ateu.

Sendo o primeiro livro que leio deste autor, surpreendeu-me a escrita não-tradicional, que no caso considero uma enorma mais-valia pois impõe um ritmo completamente diferente à leitura.

Não sei se já perceberam, mas aconselho vivamente este livro.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

coisas que eu não (me) percebo 1 #

Se eu gosto quando estou no ginásio,

Se gosto de como me sinto nas horas seguintes a ter ido ao ginásio,

Se gosto dos efeitos que, a médio/longo prazo, a ida ao ginásio produz...

... porque raio é que nunca, mas nunca mesmo, me apetece levantar o rabo da cadeira para lá ir?!