Na Zambujeira do Mar não há nenhum agente da Santa Casa. Significa isso que não há nenhum sítio para ”pôr o Euromilhões”. É preciso ir a São Teotónio, uma terra que fica a cerca de 15 km.
São Teotónio é uma vila pequena, que tem como auge do seu desenvolvimento a existência de um Intermarché. Do que me lembro, pouco mais mudou nos últimos 20 anos. Mas em São Teotónio há um agente da Santa Casa. E pensariam vocês que seria uma papelaria como estamos habituados. Não é. O agente da Santa Casa onde depositamos a esperança de enriquecer é um alfaiate. Ou algo semelhante. É uma loja onde se vendem camisas de flanela aos quadrados por 5€.Onde se podem fazer chapéus por medida, onde há peças de fazenda inteiras para fazer fatos (um dia, quem sabe!). O agente da Santa Casa não vende revistas, nem jornais, nem tabaco, nem postais. É uma loja de um senhor velhinho, que percebeu que, se calhar, talvez fosse melhor apostar na sorte dos outros, porque a procura por camisas de flanela e fatos por medida tinha os dias contados.
Em São Teotónio, há também uma loja à antiga, onde podemos comprar lençóis, toalhas, artigos de criança e “langerie”. Pelo menos é o que diz do lado de fora. Sinceramente, nunca tentei perceber que tipo de de artigos seriam esses de “langerie”, há imaginários que preferimos não desfazer.
A Zambujeira do Mar, que toda a gente conhece e que tantos gostam, tem pouco mais de nada. Tem um mercado com uma senhora simpática que vende peixe e que põe em sentido o marido e os filhos e que comanda as operações, e tem uma senhora não tão simpática , que vende tomate com sabor a tomate. Tem esplanadas e caracóis e amêijoas ao fim da tarde. Tem uma vista deslumbrante sobre um mar imenso. Tem um café que também vende jornais e revistas. Tem lojas que vendem brincos, pulseiras, colares, bóias, braçadeiras, biquinis e postais. Tem um parque infantil. Tem uma capela. E em Agosto tem o Festival Sudoeste e uma feira.
A Zambujeira do Mar tem espaço para se estar. Tem tempo para se ser. Tem cheiro de paz. Tem a praia à nossa espera.
Aqui, tão longe de (quase) tudo, sentimo-nos tão perto de nós.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
quinta-feira, 15 de julho de 2010
acabaram as obras
Agora sim. Este espaço está catita.
No cabeçalho, tudo aquilo que me move: 3 cadeiras, uma para cada um de nós, porque só isso dá sentido à vida, e a praia num dia cheio de Sol que nos renova as energias; a escrita, aquela parte de mim onde sou mais eu, a música que me enche de vida, e os livros, que me ensinam, me fazem viajar, me embalam as horas. E ao centro, o que as palavras não podem dizer, porque de tão grandes há sentimentos que não precisam de palavras. Para lá da janela há uma vida inteira. Um livro em branco que será escrito todos os dias. Um bocadinho de cada vez.
São assim as viagens. Vamos passando e retendo tudo o que vimos. Vamos aprendendo com o que ficou. Sempre com os olhos postos no que ainda há-de vir. É bom recordar o que foi, mas é ainda melhor olhar em frente e confiar no que será.
As viagens só fazem sentido se tivermos um porto de abrigo onde regressar. Um lugar para nos acolher quando o cansaço falar mais alto. Onde retemperamos forças para seguir em frente. Onde sabemos que, quando tudo o resto falhar, ali estaremos seguros.
As palavras - como as conversas - são como as cerejas.
Agora sim. Este espaço está catita, não está?
No cabeçalho, tudo aquilo que me move: 3 cadeiras, uma para cada um de nós, porque só isso dá sentido à vida, e a praia num dia cheio de Sol que nos renova as energias; a escrita, aquela parte de mim onde sou mais eu, a música que me enche de vida, e os livros, que me ensinam, me fazem viajar, me embalam as horas. E ao centro, o que as palavras não podem dizer, porque de tão grandes há sentimentos que não precisam de palavras. Para lá da janela há uma vida inteira. Um livro em branco que será escrito todos os dias. Um bocadinho de cada vez.
São assim as viagens. Vamos passando e retendo tudo o que vimos. Vamos aprendendo com o que ficou. Sempre com os olhos postos no que ainda há-de vir. É bom recordar o que foi, mas é ainda melhor olhar em frente e confiar no que será.
As viagens só fazem sentido se tivermos um porto de abrigo onde regressar. Um lugar para nos acolher quando o cansaço falar mais alto. Onde retemperamos forças para seguir em frente. Onde sabemos que, quando tudo o resto falhar, ali estaremos seguros.
As palavras - como as conversas - são como as cerejas.
Agora sim. Este espaço está catita, não está?
segunda-feira, 12 de julho de 2010
elixir da juventude
Sou a primeira a acordar, quando o corpo diz que já chega.
Carregar o carro com as malas que tanto me custam a fazer, porque não gosto de deixar para trás aquilo que é meu.
Seguir viagem. Entrar no carro para rumar ao destino que me enche a alma.
Passar a ponte. Que é quase sempre sinónimo de descanso e de sabor a sal durante dias.
A saída da auto-estrada, que nos leva à rotunda gigante em direcção a Sines. E a via rápida que nos diz que já não falta tudo.
“Já estamos a chegar?”. “Ainda não. Ainda falta um bocadinho. Devias ir para o Algarve em 1980 para ver o que era estar quase a chegar!”. Aquelas viagens que duravam um dia, só para chegar a Armação de Pêra. Tomar o pequeno-almoço de madrugada. Seguir caminho, passar a Serra. Chegar ao Algarve já ao final da tarde.
Seguir pela costa. Junto às praias. Aquele mar com uma cor que não existe igual em nenhuma outra parte do País. Aquela cor que me enche as medidas.
Passamos Porto Covo. Só mais um bocadinho até Vila Nova de Milfontes. Passamos a entrada. E a ponte logo a seguir. e aquela vista que me faz desde logo ganhar anos de vida. De um lado e de outro. As duas margens. A Vila ao fundo.
E seguimos. E a estrada fica mais estreita. E as árvores juntam-se em cima de nós. A melhor estrada do mundo. Onde desfilamos como se desfilássemos no tapete vermelho. E aqui, só aqui já ganhei anos de vida.
E chegamos. Chegamos à casa que não é nossa mas é como se fosse. À casa que não tem segredos. E que parece ainda melhor do que nos lembrávamos. Mais nossa. Mais acolhedora. Mais bonita.
E o cheiro. O cheiro dos dias que não têm hora nem tempo. O cheiro, que não é o cheiro da cidade, mas o cheiro do campo e da praia e dos dias que correm devagar.
Cantam as cigarras. Conversam os sapos. Relincham os cavalos para nos dizer que os dias que se seguem são nossos e de mais ninguém. Que as horas, os compromissos, o stress ficaram para trás. Que hoje e nos próximos quinze dias a vida é nossa. E a calma de quem pode viver sem pressas. E de quem pode aproveitar o mundo.
E o cheiro. Imenso. Que nos protege. Num mar de estrelas que nos cobre a existência.
E a rede. que baloiça devagar, ao sabor da brisa.
E a vela, que dança uma melodia no silêncio da noite.
E o fumo do cigarro que se desvanece no breu da noite.
E eu. Aqui. Onde o tempo se perde. Onde a idade que tenho parece não importar. Onde as marcas do corpo se confundem com a certeza de que tudo faz sentido. Desde que seja aqui.
Há lugares onde sabemos pertencer. Lugares onde somos nós por inteiro. Este é o meu lugar.
Carregar o carro com as malas que tanto me custam a fazer, porque não gosto de deixar para trás aquilo que é meu.
Seguir viagem. Entrar no carro para rumar ao destino que me enche a alma.
Passar a ponte. Que é quase sempre sinónimo de descanso e de sabor a sal durante dias.
A saída da auto-estrada, que nos leva à rotunda gigante em direcção a Sines. E a via rápida que nos diz que já não falta tudo.
“Já estamos a chegar?”. “Ainda não. Ainda falta um bocadinho. Devias ir para o Algarve em 1980 para ver o que era estar quase a chegar!”. Aquelas viagens que duravam um dia, só para chegar a Armação de Pêra. Tomar o pequeno-almoço de madrugada. Seguir caminho, passar a Serra. Chegar ao Algarve já ao final da tarde.
Seguir pela costa. Junto às praias. Aquele mar com uma cor que não existe igual em nenhuma outra parte do País. Aquela cor que me enche as medidas.
Passamos Porto Covo. Só mais um bocadinho até Vila Nova de Milfontes. Passamos a entrada. E a ponte logo a seguir. e aquela vista que me faz desde logo ganhar anos de vida. De um lado e de outro. As duas margens. A Vila ao fundo.
E seguimos. E a estrada fica mais estreita. E as árvores juntam-se em cima de nós. A melhor estrada do mundo. Onde desfilamos como se desfilássemos no tapete vermelho. E aqui, só aqui já ganhei anos de vida.
E chegamos. Chegamos à casa que não é nossa mas é como se fosse. À casa que não tem segredos. E que parece ainda melhor do que nos lembrávamos. Mais nossa. Mais acolhedora. Mais bonita.
E o cheiro. O cheiro dos dias que não têm hora nem tempo. O cheiro, que não é o cheiro da cidade, mas o cheiro do campo e da praia e dos dias que correm devagar.
Cantam as cigarras. Conversam os sapos. Relincham os cavalos para nos dizer que os dias que se seguem são nossos e de mais ninguém. Que as horas, os compromissos, o stress ficaram para trás. Que hoje e nos próximos quinze dias a vida é nossa. E a calma de quem pode viver sem pressas. E de quem pode aproveitar o mundo.
E o cheiro. Imenso. Que nos protege. Num mar de estrelas que nos cobre a existência.
E a rede. que baloiça devagar, ao sabor da brisa.
E a vela, que dança uma melodia no silêncio da noite.
E o fumo do cigarro que se desvanece no breu da noite.
E eu. Aqui. Onde o tempo se perde. Onde a idade que tenho parece não importar. Onde as marcas do corpo se confundem com a certeza de que tudo faz sentido. Desde que seja aqui.
Há lugares onde sabemos pertencer. Lugares onde somos nós por inteiro. Este é o meu lugar.
sábado, 10 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
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