quarta-feira, 29 de setembro de 2010

alma velha

Depois do post que vou escrever, o mais certo é ficar com o rótulo de insana, pelo menos durante algum tempo. Eu própria não tenho a certeza se confirmo ou se desminto, mas isto anda-me aqui às voltas na cabeça.
É como dizia o outro: eu não acredito em bruxas...
Diz quem sabe que sou uma "alma velha". Quer isto dizer que, segundo a teoria da reencarnação, ando cá há muito tempo. A minha alma está a qualquer coisa como a 90%, ou seja, estou a 10% de aprender tudo o que é suposto aprender. Depois disso será a vida eterna  no mais além. Parece também que existe a possibilidade de voltar à terra, mas dessa vez para infernizar a vida de alguém que tenha alguma coisa a aprender. Tudo isto previamente combinado, é claro, que somos nós próprios quem escolhe a nossa vida terrena, consoante o que nos falta aprender (dizem).

Para além disso, parece também que as pessoas com quem nos cruzamos, são pessoas com quem já nos cruzámos noutras vidas e com quem temos alguma questão para resolver. O nosso irmão pode ter sido nosso Pai, a nossa Mãe pode ter sido nossa filha, o nosso primo pode ter sido nosso amante. Por isso gostamos ou não, sem saber muito bem porquê, desta e daquela pessoa e há quem se nos atravesse no caminho sem nenhuma razão aparente e outros que teimam em ficar ainda que totalmente fora do contexto.

Ora, assim de repente, parece-me muito bem que tenha já tão pouco para aprender, ainda que sinta que me falta aprender muito mais em relação a tudo do que apenas 10%. Parece-me também um pouco difícil alinhar em infernizar a vida de alguém. Não que seja a Santa Joana - longe disso - mas o que eu quero é paz e amor e se não me chatearem eu também não chateio ninguém.

Diz também quem sabe que, numa das minhas vidas passadas, vivi algures na América do Sul e a dada altura perdi um filho. E no momento em que me fizeram este relato fico com um imenso nó na garganta.

Sempre, desde sempre e desde que fui Mãe mais ainda, que a notícia da morte de uma criança me deixa em agonia. Verdadeira agonia. Fico a pensar nisso durante muito tempo e escorrem-me as lágrimas quando leio sobre o assunto. Crianças que nunca conheci, filhas de pessoas que conheço da televisão e das revistas, nada mais. E às vezes, à noite, quando estou ao pé da minha filha para lhe fazer um bocadinho de companhia antes de adormecer, penso nessas Mães que perderam os filhos e que já não podem estar junto deles para os fazer dormir em paz.

Ontem, porque infelizmente tive conhecimento da morte inesperada de mais uma criança, tudo o que disse para trás neste texto me veio à cabeça, numa associação de ideias daquelas que nem percebemos muito bem como fazemos. E lembrei-me ao mesmo tempo que adoro música e que a música que mais mexe comigo são salsas, merengues, forrós e axês.

Mais ainda, não pude deixar de pensar na obsessão estranha que a minha filha tem comigo. Naquela dependência imensa que se manifesta desde os primeiros meses e que se mantém dia após dia.

E fiquei a pensar se todas estas coisas têm alguma coisa a ver umas com as outras. E que se calhar, existindo essa vida para além da morte e existindo reencarnação, a própria vida faz muitas vezes mais sentido.

E ao mesmo tempo fico a pensar que racionalmente isso não faz sentido nenhum.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

sobre a água


Diz que a água é "invisível"!

Gosto da forma como encontra palavras e conceitos para descrever as coisas.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

aos meus amigos


"Um dia a maioria de nós irá separar-se.

Sentiremos saudades de todas as conversas atiradas fora,

das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos,

dos tantos risos e momentos que partilhámos.

Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das

vésperas dos fins-de-semana, dos finais de ano, enfim...

do companheirismo vivido.



Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.

Hoje já não tenho tanta certeza disso. Em breve cada um vai para seu lado, seja

pelo destino ou por algum

desentendimento, segue a sua vida.

Talvez continuemos a encontrar-nos, quem sabe... nas cartas

que trocaremos.Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...

Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto

se tornar cada vez mais raro.

Vamo-nos perder no tempo... Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e

perguntarão:

Quem são aquelas pessoas? Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!

- Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons

anos da minha vida! A saudade vai apertar bem dentro do peito.

Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto...

reunir-nos-emos para um último adeus a um amigo. E, entre lágrimas, abraçar-nos-emos.

Então, faremos promessas de nos encontrarmos mais vezes

daquele dia em diante.

Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a

sua vida isolada do passado.E perder-nos-emos no tempo...

Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não

deixes que a vida

passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de

grandes tempestades... Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem

morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem

todos os meus amigos!"


Fernando Pessoa


"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,

mas na intensidade com que acontecem

Por isso existem momentos inesquecíveis,

coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis"



Fernando Pessoa

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

e vão mesmo

E entre risos e gargalhadas dizem seriamente uma para a outra:

- "Quando formos velhinhas vamos juntas para o mesmo lar, infernizar a vida dos outros velhinhos e apoiarmo-nos uma na outra para não cairmos das escadas!"

E riem mais um bocadinho.

Já têm o saco de água quente para aquecer as mãos.

Até lá vão-se apoiando nos caminhos.

E quando forem velhinhas vão juntas para o mesmo lar.

E é que vão mesmo!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

outono

Sei que chegou o Outono quando penso mais do que uma vez no mesmo dia:
" Porque é que não trouxe uns sapatos fechados? Porquê?"
É o caso de hoje.
E parece que este ano estou no timing perfeito.
O Outono vai chegar hoje de madrugada.

Que seja um magnífico Outono!!