Estava eu sentada na cadeira do cabeleireiro à espera que a tinta se entranhasse nas raízes do meu cabelo - um qualquer tom acobreado que liga bem com a minha ausência de cor, mas que a Natureza decidiu não me dar de mão beijada - quando descobri a Patrícia Reis.
Folheava uma Revista Caras com o mesmo interesse de quem folheia as páginas amarelas, quando me salta à vista um destaque da entrevista dada a Rita Ferro. Qualquer coisa como isto: "Os anos de casamento deviam ser medidos em anos caninos. A rotina dos dias é de tal forma intensa, que cada ano devia valer por sete".A afirmação fez-me sentido de tal forma que decidi ler a entrevista. Percebi que a Patrícia Reis já tem diversos romances publicados e a conversa incidia principalmente na sua publicação mais recente.
Fiquei curiosa. Pus no topo da lista dos livros a comprar na Feira do Livro um dos romances escritos por esta escritora portuguesa que até aí desconhecia. Li as sinopses de todos. Decidi que ía começar pelo primeiro. Mas quis o destino que não estivesse disponível na Feira e optei pelo último. O tal da entrevista. Antes de Ser Feliz.
É um romance pequeno, que se lê de uma vez. Que se quer ler até acabar. É uma história que podia bem ser uma história real. Como eu gosto. É uma história de vida com as simples complicações das histórias de vida. É português porque é passado na Figueira da Foz. É a história de um Amor, e não uma história de Amor.
Eu sei que ninguém gosta muito de se ver comparado, mas não resisto à comparação. Lembrou-me a escrita e as histórias da Rosa Lobato de Faria de quem eu tanto gostava da escrita e de quem li todos os livros. No caso a comparação é - para mim - um tremendo elogio.
O próximo será o primeiro da Patrícia Reis, A Cruz das Almas. Tenho 5 livros em espera, mas se calhar vou meter uma cunha - coisa bem portuguesa - e encaixar este nas prioridades.
Entretanto vai voltar à minha mesa de cabeceira "A História de Edgar Sawtelle", história onde não consigo entrar nem sei muito bem porquê. Mas não gosto de desistir. Nem dos livros. A ver se é desta.
terça-feira, 18 de maio de 2010
não te rendas
MARIO BENEDETTI traduzido por Inês Pedrosa
Não te rendas
Não te rendas, ainda estás a tempo
De alcançar e começar de novo,
Aceitar as tuas sombras,
Enterrar os teus medos,
Libertar o lastro,
Retomar o voo.
Não te rendas que a vida é isso,
Continuar a viagem
Perseguir os teus sonhos,
Destravar o tempo,
Remover os escombros,
e destapar o céu.
Não te rendas, por favor não cedas,
Mesmo que o frio queime,
Mesmo que o medo morda,
Mesmo que o sol se esconda,
E se cale o vento,
Ainda há fogo na tua alma
Ainda há vida nos teus sonhos.
Porque a vida é tua e teu também o desejo
Porque o quiseste e porque eu te quero
Porque existe o vinho e o amor, é certo.
Porque não há feridas que não cure o tempo.
Abrir as portas,
Tirar os ferrolhos,
Abandonar as muralhas que te protegeram,
Viver a vida e aceitar o repto,
Recuperar o riso,
Ensaiar um canto,
Baixar a guarda e estender as mãos
Abrir as asas
E tentar de novo,
Celebrar a vida e retomar os céus.
Não te rendas, por favor não cedas,
Mesmo que o frio queime,
Mesmo que o medo morda,
Mesmo que o sol se ponha e se cale o vento,
Ainda há fogo na tua alma,
Ainda há vida nos teus sonhos
Porque cada dia é um começo novo,
Porque esta é a hora e o melhor momento.
Porque não estás só, porque eu te amo.
Não te rendas
Não te rendas, ainda estás a tempo
De alcançar e começar de novo,
Aceitar as tuas sombras,
Enterrar os teus medos,
Libertar o lastro,
Retomar o voo.
Não te rendas que a vida é isso,
Continuar a viagem
Perseguir os teus sonhos,
Destravar o tempo,
Remover os escombros,
e destapar o céu.
Não te rendas, por favor não cedas,
Mesmo que o frio queime,
Mesmo que o medo morda,
Mesmo que o sol se esconda,
E se cale o vento,
Ainda há fogo na tua alma
Ainda há vida nos teus sonhos.
Porque a vida é tua e teu também o desejo
Porque o quiseste e porque eu te quero
Porque existe o vinho e o amor, é certo.
Porque não há feridas que não cure o tempo.
Abrir as portas,
Tirar os ferrolhos,
Abandonar as muralhas que te protegeram,
Viver a vida e aceitar o repto,
Recuperar o riso,
Ensaiar um canto,
Baixar a guarda e estender as mãos
Abrir as asas
E tentar de novo,
Celebrar a vida e retomar os céus.
Não te rendas, por favor não cedas,
Mesmo que o frio queime,
Mesmo que o medo morda,
Mesmo que o sol se ponha e se cale o vento,
Ainda há fogo na tua alma,
Ainda há vida nos teus sonhos
Porque cada dia é um começo novo,
Porque esta é a hora e o melhor momento.
Porque não estás só, porque eu te amo.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
pensamentos do dia
pensamento 1 #
Primeiro dia em que a minha filha saiu com a escola para um passeio, a visita a uma quinta pedagógica (ou dagrógica como ela lhe chamou!). Saímos de casa como de costume, chegámos à escola como de costume e lá a deixei como de costume, desta vez com o reforço do “tem um bom dia, diverte-te muito no passeio!”. E já pronta para me vir embora, apercebo-me que as Mães vão ficar. Vão ficar à porta da escola até verem as crianças entrar na camioneta e seguir para o tão desejado passeio.
E eu questiono-me se serei uma Mãe desnaturada.
Ao mesmo tempo que me questiono sobre qual será o objectivo de ficar ali especada a ver o filho entrar numa camioneta.
pensamento 2#
Não se podia esperar mais de alguém que, em pleno ano 2010, usa um retroprojector com acetatos (sim, leram bem, um retroprojector com acetatos) para falar numa aula numa universidade. Não se podia esperar que esse ser fosse mais evoluído do que as frases que proferiu, entre as quais destaco a seguinte: “este grupo embora só de mulheres ficou em primeiro lugar”.
Entretanto, feitas as contas, tenho ideia de que o retroprojector é um elemento com o qual não me cruzava há mais de 15 anos. O que me lembra que daria um bom cromo para a caderneta.
pensamento 3 #
Os Avós são a melhor invenção do século. Os Avós reformados são o upgrade que todos precisamos.
E isto remete-me novamente para o pensamento 1#.
Não sinto que soeja uma Mãe pior do que as outras porque não sei na ponta da língua quantos quilos tinha a minha filha quando nasceu, nem quanto media ao milímetro. Não sei bem que horas eram, vacilo sempre entre as 14 e qualquer coisa e as 16 e qualquer coisa. Não me sinto culpada porque dei de mamar apenas uma semana e meia e assumo que dar de mamar foi a pior experiência física da minha vida. Não telefonei para a escola a saber se estava tudo bem no primeiro dia que a deixei lá – assumi que se não estivesse, alguém me avisaria. Não fiquei a ver a minha filha entrar na camioneta e partir para o seu primeiro passeio com a escola.
Mas fico sempre com o coração pequenino quando a deixo doente para vir trabalhar. Mesmo sabendo que fica com os Avós (que é tão bom como ficar comigo mas com a vantagem de terem doses de paciência reforçadas).
Primeiro dia em que a minha filha saiu com a escola para um passeio, a visita a uma quinta pedagógica (ou dagrógica como ela lhe chamou!). Saímos de casa como de costume, chegámos à escola como de costume e lá a deixei como de costume, desta vez com o reforço do “tem um bom dia, diverte-te muito no passeio!”. E já pronta para me vir embora, apercebo-me que as Mães vão ficar. Vão ficar à porta da escola até verem as crianças entrar na camioneta e seguir para o tão desejado passeio.
E eu questiono-me se serei uma Mãe desnaturada.
Ao mesmo tempo que me questiono sobre qual será o objectivo de ficar ali especada a ver o filho entrar numa camioneta.
pensamento 2#
Não se podia esperar mais de alguém que, em pleno ano 2010, usa um retroprojector com acetatos (sim, leram bem, um retroprojector com acetatos) para falar numa aula numa universidade. Não se podia esperar que esse ser fosse mais evoluído do que as frases que proferiu, entre as quais destaco a seguinte: “este grupo embora só de mulheres ficou em primeiro lugar”.
Entretanto, feitas as contas, tenho ideia de que o retroprojector é um elemento com o qual não me cruzava há mais de 15 anos. O que me lembra que daria um bom cromo para a caderneta.
pensamento 3 #
Os Avós são a melhor invenção do século. Os Avós reformados são o upgrade que todos precisamos.
E isto remete-me novamente para o pensamento 1#.
Não sinto que soeja uma Mãe pior do que as outras porque não sei na ponta da língua quantos quilos tinha a minha filha quando nasceu, nem quanto media ao milímetro. Não sei bem que horas eram, vacilo sempre entre as 14 e qualquer coisa e as 16 e qualquer coisa. Não me sinto culpada porque dei de mamar apenas uma semana e meia e assumo que dar de mamar foi a pior experiência física da minha vida. Não telefonei para a escola a saber se estava tudo bem no primeiro dia que a deixei lá – assumi que se não estivesse, alguém me avisaria. Não fiquei a ver a minha filha entrar na camioneta e partir para o seu primeiro passeio com a escola.
Mas fico sempre com o coração pequenino quando a deixo doente para vir trabalhar. Mesmo sabendo que fica com os Avós (que é tão bom como ficar comigo mas com a vantagem de terem doses de paciência reforçadas).
quarta-feira, 12 de maio de 2010
obrigada
Assustada. Foi assim que fiquei hoje no final do dia, quando percebi que tinha recebido três mensagens de incentivo pelo meu blog. Mensagens de pessoas que tinham por aqui passado e que tinham gostado. Mensagens de "Parabéns. Passei por aqui e gostei. Vou passar a seguir".
Ora, isso traz uma responsabilidade acrescida. De repente, percebi que afinal há mesmo pessoas que se podem interessar pelo que eu escrevo. E que vão voltar.
E não pensem vocês que foram uma ou duas mensagens. Nada disso. Foram três (3)! Três mensagens! Com direito a comentários e tudo.
Entusiasmada pelo incentivo, decidi renovar a página. É que alguns dos leitores são masculinos e pareceu-me que o espaço estava demasiado cor-de-rosa. Agora, em rosa e azul será um espaço mais apetecível para todos. É que, embora os clientes tenham gostado, há que trabalhar na óptica da "melhoria contínua" para oferecer um serviço de qualidade (dizem!).
Se se derem ao trabalho de ler os primeiros textos que aqui escrevi (e isto não é um convite, atenção), vêem que este blog começou por ser uma coisa meio séria. Mas depois descambou, e até já por aqui apareceu o relato de quando, aos 35 anos, decidi furar as orelhas e partilhei a imagem do meu primeiro par de brincos.
O que isto será daqui para a frente? Não faço ideia.
Só sei que, por agora, me está a dar imenso gozo!
Ora, isso traz uma responsabilidade acrescida. De repente, percebi que afinal há mesmo pessoas que se podem interessar pelo que eu escrevo. E que vão voltar.
E não pensem vocês que foram uma ou duas mensagens. Nada disso. Foram três (3)! Três mensagens! Com direito a comentários e tudo.
Entusiasmada pelo incentivo, decidi renovar a página. É que alguns dos leitores são masculinos e pareceu-me que o espaço estava demasiado cor-de-rosa. Agora, em rosa e azul será um espaço mais apetecível para todos. É que, embora os clientes tenham gostado, há que trabalhar na óptica da "melhoria contínua" para oferecer um serviço de qualidade (dizem!).
Se se derem ao trabalho de ler os primeiros textos que aqui escrevi (e isto não é um convite, atenção), vêem que este blog começou por ser uma coisa meio séria. Mas depois descambou, e até já por aqui apareceu o relato de quando, aos 35 anos, decidi furar as orelhas e partilhei a imagem do meu primeiro par de brincos.
O que isto será daqui para a frente? Não faço ideia.
Só sei que, por agora, me está a dar imenso gozo!
os primeiros
Há muito prometidos por serem lindos!
Daqui a um mês (mais coisa menos coisa) estarão nas minhas orelhas.
Obrigada Susana.
És uma verdadeira artista!
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